As aulas de francês sempre são construtivas. Meu professor é uma pessoa muito acessível que está sempre “estimulando o meu prazer” em aprender a língua. Eu não tenho certeza, mas, fisicamente, ele aparenta ter por volta dos 25 anos, é um tipo de estatura mediano-alta, cabelo castanho e olhos cor de mel. A característica que mais me chama atenção: ombros largos. Entretanto, seu físico era normal, nada de corpo muito atlético ou muito largado. Apenas normal e com uma cara de HOMEM de fazer inveja a muito marmanjo de 35/40 anos. Sempre que possível, ele me trazia novidades nos mais diversos campos: música, literatura, cinema etc. E é visível o prazer em seus olhos sempre que essas novidades me agradam. Apesar da rotina de término de colégio, eu faço o possível para freqüentar todas as aulas que me ocupam as tardes. Numa dessas tardes, choveu muito e após a aula eu fiquei sentada no terraço do casarão que sediava o curso lendo Hell Paris. Meu professor postou-se ao meu lado e abriu um sorriso. Respondi com outro sorriso e agradeci a leitura recomendada, de fato era um livro muito bom e ele mencionou que no porão do curso existia uma biblioteca com um acervo variado, todos em francês. Curiosa, eu perguntei se o acervo era aberto aos alunos e ele respondeu que não, só os professores tinham acesso às locações. Com um sorriso malicioso no canto da boca, ele contou que precisava descer para pegar alguns livros e perguntou se eu não gostaria de acompanhá-lo. Quando ocasiões propícias aparecem, minha mente deturpada logo as acolhe e, dessa vez, não seria diferente. Pegamos o cartão magnético e descemos. Quando ele passou o cartão e a porta se abriu, meus olhos se deleitaram com a visão privilegiada de mais de 2000 livros que fazem parte da literatura francesa. Foram orgasmos múltiplos. Aqueles livros, aquela situação, aquele homem que se postou atrás de mim com as mãos em volta da minha cintura. Tudo misturado. Eu já estava ficando molhada quando não consegui controlar meus instintos e o empurrei para a parede e entre Moliere, Voltaire e Simone de Beauvoir comecei a beijá-lo. Entre beijos e mordidas, ele me suspendeu, eu encaixei minhas pernas em volta de cintura dele e logo ele me encostou numa das instantes. No roçar dos nossos corpos, ele foi tirando minha blusa e, logo, a sua. E as peças de roupa foram extingüindo-se até que a única peça que usávamos fossem nossas peles. Não podíamos fazer barulho e, quando eu sentia que viriam gemidos altos, eu descontava em suas costas, cravando minhas unhas. E ele descontava a sua dor com violência e movimentos fortes na penetração, enquanto eu procurava apoio nos livros, me segurando como se não houvesse chão, como se não houvesse mais nada. Ele me botou no chão de costas pra ele e fudeu a minha bunda. No momento em que ele me penetrava, ele também me masturbava e mordia meu pescoço. O sangue no corpo fervia, eu estava vermelha, ofegante e zonza. Muitas vezes achei não estar mais sentindo minhas pernas. E, quando estava na beira de um orgasmo, olhei para a prateleira da frente e vi: “Memores D’une Jeune Fille Rangee” de Simono de Beauvoir. Gozei na hora. Enquanto eu me estremecia rente ao corpo dele e ele chupava meu pescoço e apertava meus seios, pensei na ironia do momento e tentei lembrar do exato momento em que eu havia me corrompido. Pra ser mais exata, em nenhum. Essa é simplesmente a natureza humana em toda sua essência. E eu aproveito a minha.
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Memores D’une Jeune Fille Rangee – Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
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"Não foi o meu modo de pensar que causou a minha desgraça. Foi o modo de pensar dos outros."