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Sempre odiei formaturas, e a minha não seria diferente. Primeiro: formaturas de colégio não fazem sentido. No que você está se formando? Está simplesmente terminando a escola, que, diga-se de passagem, tem sido entediante, tirando os flertes com um dos professores. Adoro provocá-lo quando ele não pode reagir. Mas voltando a formatura, não passava de um monte de gente vestida formalmente, dançando as músicas que estão na moda, gêneros equivocados para a ocasião como forró, funk e afins. Nessa noite usei um corselete preto na parte de cima, daquele tipo que faz seus seios triplicar. Na parte de baixo, uma saia também preta, justa, porém longa, com fendas nas duas laterais e saltos 15 na cor preta. Cabelos soltos levemente ondulados na altura dos ombros, maquiagem preta carregada nos olhos (minha preferida) e a boca com um tom claro, quase que natural. Sentada e entediada eu me encontrava na formatura. Algumas vezes me levantei para dançar quando tocavam alguma coisa aceitável. No mais, ficava na minha. No auge do tédio, me retirei do salão onde estava ocorrendo à festa e fui até o carro pegar minha bolsa. Dela eu tirei uma garrafa de vodka e fui ao jardim “aproveitá-la”. Alguns minutos depois, escuto passos e fico atenta. Então alguém aparece ao meu lado e fala: dia difícil? Viro, encaro o homem e me limito a responder um áspero “pois é”. Se fosse qualquer outro dia, eu teria caído em cima. Era o famoso coroa enxuto. Devia ter por volta dos 30. Mas hoje eu estava simplesmente sem saco pra esboçar qualquer atitude cordial que fosse. Entretanto, o cara continuou falando. Coisas do tipo: É, nessa fase eu também não fiquei muito legal, muita pressão etc… Sem paciência, eu respondi: Olha cara, se você está esperando uma chupada ou que eu dê pra você aonde quer que seja, passe amanhã porque hoje não rola. O encarei e por um momento aqueles olhos me invadiram e eu me senti presa a ele. Quando voltei a realidade, retirei-me e retornei a festa. Mais uma vez, jogada ao tédio, até que uma mão firme me puxou. Quando virei, novamente o cara. Ele estava trabalhando como fotógrafo da formatura e nesse momento estava fazendo fotos individuais dos formandos para um álbum que seria vendido aos pais. A casa de festa era uma daquelas mansões tradicionais e tinham cedido ao fotógrafo uma das saletas mais charmosas para que ele usasse de cenário nas fotos. Começamos as fotos e logo vieram conversas que foram de Billy Idol à Skid Row, de Anais Nin a 9 semanas e meia de amor, de sadomasoquismo à the Clash. Ele era puro tesão psicológico. O homem perfeito que idealizei na minha adolescência distorcida. Entre uma foto e outra ele se aproximava e dizia que se eu não estivesse ali na frente dele, sendo “registrada” por um câmera, ele não acreditaria que eu era de verdade. E seus olhos tinham algo que me prendia, me deixava incapaz de responder qualquer coisa, de fazer qualquer movimento, qualquer ação. Ele passou a mão pela minha nuca, aspirou meu busto e beijou meu pescoço. Eu estava me entregando de uma maneira completamente nova. Dessa vez não era só fuder, chupar, bater uma ou coisas do tipo por simples prazer. Eu queria que ele me tivesse naquele momento, queria que ele se lembrasse de mim, marcá-lo de alguma forma porque ele já estava marcado em mim no momento em que ele me olhou. Eu queria que naquele momento eu fosse a única de alguém e não só mais um troféu de calcinha fio dental. Ele me encostou no sofá e desamarrou as barbatanas do meu espartilho enquanto eu procurava respirar mais devagar, pois parecia que meu coração sairia pela minha boca. Ele me deitou no sofá e começou a passear os dedos pelo meu corpo, com movimentos lentos e leves. Parecia uma pluma. Eu sentia cócegas, arrepios, prazer. Seus lábios apenas encostavam-se aos meus, ficando na iminência de me beijar e me deixando louca, a cada segundo que passava, desejando-o mais e mais. Ele sentou-se no sofá enquanto eu me levantei e devagar removi minha saia e minha calcinha, ficando nua e de salto. Ele analisava todos os meus movimentos com aqueles olhos felinos. Eu me voltei para frente dele, segurei seu pau e o coloquei na boca. Acho que nunca havia chupado alguém com tanto prazer e vontade. Vê-lo ter prazer causava meu próprio prazer. Sentei em seu colo e comecei a “cavalgá-lo”. Dessa vez, eu mantive meus olhos abertos, encarando os dele. Percebi que nunca tinha feito isso no sexo. Eu via os homens com quem fudi como máquinas que satisfaziam meus desejos. Não interessava se tinham um olhar meigo ou feroz. Fechava os meus e me entregava ao prazer carnal apenas. Dessa vez fiz questão de sentir tudo. Nada passar despercebido. Eu gemia baixo no seu ouvido, mas com tamanha intensidade que ele podia ver que eu estava chegando ao ápice do meu prazer. Assim como também percebi que ele estava chegando ao dele, já que seu corpo tremia e ele me apertava cada vez com mais força contra o seu corpo. Quando nós dois gozamos, ele passou a mão pelas mechas do meu cabelo e sorriu pra mim, logo depois me beijou por alguns segundos. Infelizmente, à meia noite a carruagem vira abóbora, os cavalos viram ratos e meus sonhos viram pó. Tive que me vestir e voltar à realidade. Apesar da troca de e-mails e telefones, não estava muito segura que voltaria a vê-lo. Mas não tinha importância. Eu lembraria dele. E ele tinha minha fotografia.

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