Num final de tarde resolvi visitar minha livraria preferida para espairecer. Por volta das 18:00h, eu me encontrava acomodada numa poltrona, num canto reservado da livraria, lendo um exemplar de Delta de Vênus, da escritora Anaïs Nin. Enquanto meus olhos se deleitavam e se afogavam em toda aquela fantasia, não pude perceber uma figura masculina se aproximar pela lateral das prateleiras próximas à mim. Quando estou à beira de um orgasmo mental, aquele homem com um certo “q” intelectual posta-se a minha frente e me pergunta se o que eu tinha nas mãos era um exemplar de Delta de Vênus. Eu faço que sim com a cabeça (não conseguia falar já que o gozo escorria pelo meu cérebro e impedia de proferir qualquer palavra que fizesse sentido no momento). Ele, educadamente, me pergunta se eu tenho intenções de comprá-lo. Era meio óbvio que sim, já que como ele mesmo havia observado, o livro encontrava-se em minhas mãos. Entretanto, ele tinha um olhar que me induziu a responder justamente o contrário. Bastou isso. Foda-se o livro. Eu quero que ELE me foda. Não foi preciso muito. Um olhar simpático com um certo ar pervertido e um convite para uma conversa intelectual regada a vinho num restaurante aconchegante foram o suficiente. Ele tinha uma intelectualidade perversa. Debaixo de toda aquela inteligência e um leve toque de arrogância, existia um pervertido sórdido. Bastou nós dois ali para que a atmosfera ideal fosse criada.
“Se ele, feito um animal igualmente primitivo, surgisse na outra extremidade desse deserto, encarando-a com a mesma tensão energética nos cabelos, na pele e nos olhos, se surgisse com o mesmo corpo selvagem, pisando fortemente e procurando um único pretexto para dar o bote, enlaçar-se furiosamente, sentir o calor e a força de seu oponente, então eles poderiam rolar juntos pelo chão e as mordidas poderiam tornar-se de outra espécie, e a luta se transformaria num abraço, e os puxões de cabelo fariam com que suas bocas, seus dentes e suas línguas se unissem. E, devido à fúria, seus órgãos genitais se roçariam mutuamente, soltando faíscas, e os dois corpos sentiriam a necessidade de penetrar um no outro para pôr um fim nessa formidável tensão”. Em pouco tempo depois, eu já estava sentada em seu colo, no sofá da sua casa, cravando meus dentes no seu pescoço. Ele puxou minha cabeça para trás pelos meus cabelos, fitou meus olhos em seguida falou: Você vai ter o que merece. Me pôs deitada de bruços no colo dele puxou minha tanguinha preta para o lado e começou a me masturbar. O prazer era tamanho que em pouco tempo meus mamilos estavam rígidos e meu corpo todo estremecia, seguido dos gemidos. Quando pensei que estava chegando à beira de uma gozada, ele me deu uma tapa na bunda que me fez gritar. Contudo, eu tomei gosto pela “brincadeira” e o encarei. Em seguida, com um tom sacana, falei: Isso é tudo o que você tem? Fui jogada no chão e estapeada. A cada vez que a mão dele tocava minhas extremidades, eu soltava um gemido mais forte. Chegou ao ponto da minha bunda se transformar em uma grande mancha vermelha. Após isso, eu o chupei até fazê-lo gozar, e fizemos sexo, eu contra a parede e de costas. Tudo proporcionava um prazer quase que indescritível. Mas nada chegou perto das tapas ou de todo aquele tesão psicológico que ele me proporcionou. Talvez não exista nada melhor do que misturar inteligência, violência e sexo.


"Não foi o meu modo de pensar que causou a minha desgraça. Foi o modo de pensar dos outros."